Pentecostes e Copa do mundo

11O Arcebispo de Uberaba (MG), Dom Paulo Mendes Peixoto, fala sobre este momento vivido no Brasil: ” Nos antigos povos, Pentecostes era Festa das Colheitas, realizada com muita alegria e solenidade. A celebração era dedicada exclusivamente a Javé. Uma festa ecumênica, aberta para todos os produtores e seus familiares, os pobres, os levitas e os estrangeiros (Dt 16,11-12). Enfim, todo o povo apresentava-se diante de Deus. Reconhecia-se e afirmava-se o compromisso de fraternidade e a responsabilidade de promover os laços comunitários.

Hoje Pentecostes é chamada de Festa da Unidade, da presença do Espírito unificador, enviado por Cristo cinquenta dias após o domingo da Ressurreição e sete dias depois da Ascensão. No dinamismo da cultura, na diversidade dos dons, o Espírito Santo é proclamado como Aquele que veio para superar a “confusão babilônica”, os resquícios da “Torre de Babel” que reinam numa sociedade marcada por tantas situações extremistas e desumanas.

Estamos nas vésperas da Copa do Mundo, desta vez em nosso país. Teremos a presença de jogadores de diversas realidades do planeta. O foco principal deve ser a bola, para a qual o mundo todo estará olhando, formando uma unidade universal. Motivados pela mídia, muitos ficam aguçados em seus fanatismos, tanto dentro dos estádios, como fora deles.

A presença do Espírito Santo de Deus deve nos levar a falar a linguagem da justiça e do amor. Temos que superarImagem2 nossas diferenças, canalizando tudo para a construção do bem, mesmo sabendo que a Copa tem sido caminho de enriquecimento ilícito de algumas pessoas e de alguns grupos. É justamente por causa da má condução e fiscalização do uso do bem público, na preparação da Copa, que o povo brasileiro está indignado e isto tem se revelado nas grandes manifestações populares. Mas não podemos perder o rumo, fazendo o país ficar ainda pior. Torcemos por uma Copa do Mundo de paz e de vitória para quem estiver mais bem preparado.”

CNBB-Copa-2014Os Bispos do Brasil (CNBB) convidam a sociedade brasileira a aderir ao projeto “Copa da Paz” e à Campanha “Jogando a favor da vida –
denuncie o tráfico humano”,
 que têm a finalidade de colaborar para que o evento seja “lembrado como tempo de fortalecimento da cidadania”.

Fiel à sua missão evangelizadora, a Igreja no Brasil acompanha, com presença amorosa, materna e solidária, esse grande evento que reunirá vários países e protagonizará a oportunidade de um congraçamento universal, “na alegria que o esporte pode trazer ao espírito humano, bem como os valores mais profundos que é capaz de nutrir”, como nos lembra o Papa Francisco.

Os brasileiros, identificados por sua hospitalidade e alegria, saberão acolher aqueles que, de todas as partes do mundo, virão ao nosso país por ocasião da Copa. Nossos visitantes terão a oportunidade de conhecer a riqueza cultural que marca nossa terra, sua gente, sua arte, sua religiosidade, seu patrimônio histórico e sua extraordinária diversidade ambiental.

A Copa se torna, portanto, ocasião para refletir com a sociedade sobre as relações pacíficas e culturais entre todos os povos, bem como sobre os aspectos sociais e econômicos que envolvem o esporte que é harmonia, desde que o dinheiro e o sucesso não prevaleçam como objeto final, conforme alerta o Papa Francisco. Acrescenta: ” Solidarizamo-nos com os que, por causa das obras da Copa, foram feridos em sua dignidade e visitados pela dor da perda de entes queridos.

Não é possível aceitar que, por causa da Copa, famílias e comunidades inteiras tenham sido removidas para a construção dePortrait of a child with a painted flag estádios e de outras obras estruturantes, numa clara violação do direito à moradia.

Tampouco se pode admitir que a Copa aprofunde as desigualdades urbanas e a degradação ambiental e justifique a instauração progressiva de uma institucionalidade de exceção, mediante decretos, medidas provisórias, portarias e resoluções.

O jogo vai começar e o Brasil se torna, nesse momento, um imenso campo, sem arquibancadas ou camarotes. Somos convocados para formar um único time, no qual todos seremos titulares para o jogo da vida que não admite espectadores. Avançando na mesma direção, marcaremos o gol da vitória sobre tudo que se opõe ao bem maior que Deus nos deu: a vida. Essa é a “coroa incorruptível” (1Cor 9,25) que buscamos e que queremos receber ao final da Copa. Então, seremos todos vencedores!

Que a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, nos agracie com sua bênção e proteção neste tempo de fraternidade e congraçamento entre os povos.  (fonte: http://www.cnbb.org.br/eventos-1/muticom/13814-cnbb-divulga-mensagem-sobre-a-copa-do-mundo)

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