Quanto vale uma vida?

Quanto vale uma vida? A julgar pelo que se pôde ler, ver e escutar nos noticiários dos últimos dias, não está valendo muito, ao menos para algumas pessoas ou grupos. Fato número 1: “Homens queimam e matam morador de rua em Salvador”, destacava a manchete do jornal A TARDE, no domingo passado. O tal homem – Daniel, de 26 anos – “não resistiu às queimaduras provocadas ontem de madrugada por quatro homens, no inicio da tarde. Ele dormia em um papelão…”. Fato número 2: “Jovem é assassinado por vizinho, com vários golpes de faca, durante uma discussão”. Fato número 3: “Um homem, de identidade ignorada, morreu na madrugada de ontem após dar entrada num Hospital, em Salvador. Ele chegou à unidade médica com marcas de tiro na testa, tórax e braço”. Fato número 4: “Motorista embriagado atropela pai e filha e mata menina de 4 anos”. O motorista fugiu e não prestou socorro às vítimas. Fato número 5: “Anciã paralítica morta por filha adotiva”. A mulher, de 87 anos, foi estrangulada pela filha do marido, de 42 anos, criada pela vítima desde os 12 anos. Fato número 6: “Bomba explode em praça de Cabul, matando 29 civis e 8 militares”. Outros fatos, inúmeros fatos nessa linha poderiam ser aqui elencados.

Esses, contudo, são suficientes para que voltemos à pergunta: “Quanto vale uma vida?” Cada vida é única. Não há fotocópias de vidas humanas. Cada uma dessas pessoas mortas violentamente tinha uma história própria. É provável que, quando esperadas, pai e mãe passaram a sorrir mais e fizeram uma lista de nomes para o tão esperado filho ou para a desejada filha. O nascimento foi uma festa! Tudo foi acompanhado com imenso carinho: o primeiro sorriso, o nascer do primeiro dente, a primeira palavra pronunciada… Quando voltou do primeiro dia na escola, as histórias da criança dominaram o almoço. Os pais dos colegas do filho passaram a ser parte da família, mesmo sem serem conhecidos pessoalmente. Quando a criança visitava a avó, ficando fora de casa algum fim de semana, as saudades eram imensas – saudades que, agora, serão para sempre. Sim, há também as pessoas que não serão lembradas por ninguém, continuando tão “anônimas” como o foram em vida. Contudo, trata-se sempre de vida, de uma vida humana, cujo valor não se mede pelo que a pessoa produziu, pelos empregos que gerou ou pela fama que teve. Do mesmo modo, o valor de uma vida não se calcula pelo espaço que a notícia de seu falecimento ocupou nos programas de TV ou no número de pessoas que estiveram em seu velório e foram ao seu enterro.

Quanto vale uma vida? Para ladrões, que matam para roubar, pouco, muito pouco. Importantes será o fruto do roubo, as compras que poderão ser feitas, a não necessidade de trabalhar… Não sabem que, pior do que o que levam, é o que deixam nos parentes dos que morreram, talvez para o resto da vida: o medo, a insegurança, o trauma… Quanto vale uma vida? Para quem dirige um carro de maneira irresponsável, não vale muita coisa. Ainda mais que há a segurança de toda uma cultura da impunidade reinando em nossa sociedade. Para o terrorista, uma vida não vale nada. Valem, sim, sua ideologia, seu desejo de vingança e seu ódio permanente contra tudo e contra todos.

Quanto vale uma vida? Quando se vê o outro como inimigo, e não como um irmão universal, quando o ódio é cultivado sistematicamente desde a infância, quando se acredita mais no poder das armas do que na força do diálogo, e quando o egoísmo domina as ações e opções é sinal claro de que a vida não tem valor nenhum – ao menos a dos outros, vistos como inimigos a serem destruídos ou, então, como um mero objeto. Quanto vale uma vida? Quando se vai armado para um bar, para um baile ou para o encontro qualquer, é sinal de que não vale nada.

Quanto vale uma vida? Quem pode nos dar a verdadeira resposta a essa pergunta é Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, para participarmos de sua vida eternamente. Ele, que é Pai, sonha com cada um de nós desde toda a eternidade. Porque é Deus e Pai, não se guia por números ou por critérios humanos – antes, valoriza tanto cada vida que nos pedirá contas da vida de cada irmão. (Dom Murilo Krieger –  Arcebispo de São Salvador da Bahia) – Enviado por Cristiane / Campinas – SP

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